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Eu, minha Vó e o Bê-Bê-Bosta-Brasil

Cheguei em casa por volta de umas dez e meia, estava cansado. Havia pelejado o dia inteiro e não tirei aquele cochilozinho gostoso da chuva da tarde. Tudo o que eu queria era tomar uma ducha, comer algo e capotar. Mas como eu vivo de imprevistos e meus planos nunca são exatamente como penso, abro a portão da frente de casa e já escuto em alto e bom som a voz do Pedro Bial:

– Agora vamos fazer uma retrospectiva de tudo o que aconteceu na casa mais vigiada do... – blá blá blá... continuou com aquele “show”.

Eu respirei fundo e já sabia que minha Vó estava na sala vendo a final do Big Brother Brasil com uma manga chupada nas mãos e um guardanapo de pano rendado em cima das pernas.

Abri a porta da sala e dito e feito.

– Boa noite, Vó.
– Boa noite, meu filho. Olha, ainda dá tempo de votar... Vote no Dourado pra mim por favor, quantas vezes der, viu?!
– Vó, eu sinto muito, mas não vou ligar aqui de casa pra...
– Não é pra ligar, é só ir lá na internet e clicar e pronto! Tá feito! Quantas vezes der, meu filho. Ele merece.

Ensaiei um riso de canto de boca e dei de ombros, abaixei a cabeça fui tomar meu banho. Tinha a resposta. Havia perdido minha Vó para as transmissões da globo. Lembrei rapidamente de uma frase de alguém que não lembro agora e que dizia que “a televisão só existe para não deixar que os outros conversem”. Então era isso. E aqueles cafunés pra eu pegar no sono, e as histórias de quando ela era criança, e os nomes das coisas antigas que eu nunca ouvira falar. Não. Agora ela só fala das piadas da Ana Maria Braga e das polêmicas desse reality show.

Voltei à sala, com dois pães passados na manteiga e um achocolatado. Sentei no sofá e voltei a ouvir as balelas sensacionalista que o apresentador fala quase todo dia. Fitei a minha Vó e no mesmo instante perguntei à ela:

– Vó, a sra. já ouviu falar do mito da caverna?
– Ih, meu filho. Lá vem você com essas história... Outro dia foi aquele tal daquele documentário que eu não entendi nada. – respondeu sem nem me olhar.

Ri de novo. Não adiantava explicar, ela estava conformada com o que sabia e com o que aprendera a vida toda. Passara por muita dificuldade e essa era forma de lazer que ela encontrava sem sair de casa. Tudo bem. Voltei a pensar comigo, relembrei o mito da caverna, as aulas de jornalismo, a manipulação, a massificação, a corrupção, a complacência das pessoas, o conformismo, e o silêncio dos sábios. Estamos em tempos difíceis. Com tanta tragédia acontecendo. Com tanto egoísmo. Enquanto pessoas ainda morrem de fome todos os dias, o Sr. Bill Gates está pensando numa nova logística para o seu novo sistema operacional. Enquanto a guerra civil mata milhares por dia, o bilionário Eike Batista só pensa em ser o primeiro da lista de mais ricos da revista Forbes.

“Não! Eu preciso salvar a minha Vó”, pensei por um segundo.

“Mas ela não tem mais salvação”, me conformei no outro segundo.

Então vamos pensar cá entre nós. Se você não questionar-se em momento algum de sua vida, será mais um em meio a milhões. Goethe disse que “ler é a arte de desfazer nós cegos”. E ele está certo. Mas se é mais fácil e mais cômodo ficar em frente a televisão vendo um programa que não tem outro intuito a não ser ganhar dinheiro e Ibope, é porque alguma coisa está errada. Se você vibra com as baixarias propostas pelo brutality show e ainda por cima acha interessante ficar observando vinte e quatro horas um grupo de pessoas que é tão interessante quanto ficar num zoológico observando os macacos fazendo trapalhadas, é porque muita coisa está errada. Logo nós, brasileiros, que já sofremos tanto com os problemas corriqueiros de educação, ainda temos que nos abster a um programa de gosto banal?

Isso só serve para atrofiar mais a nossa mente, que já não pensa direito. Mas isso lhes é muito conveniente, pois um povo burro é fácil de ser manipulado. E é isso que eles querem. Em vez de nos transmitir um programa que nos force a pensar, a querer algo melhor, eles nos presenteiam com uma armadilha.

Povo herói e guerreiro é o trabalhador desse país, que dá duro todo dia para ganhar um salário indecente e sustentar a família toda. Não são os boys e as girls que lá estão para se mostrarem.

Eu tô cansado dessa alienação. A cada vez mais não suporto a televisão. Quanto mais procuro, questiono, mais pútrida me parecem essas emissoras.

Tudo é forjado, pensado. As novelas são a maior prova disso: tudo feito em base de pesquisas para satisfazer a ignorância dos telespectadores. Tudo isso é pra ludibriar esse povo sofrido.

Outro dia mesmo, quando eu estava tentando mexer no twitter, vi um tweet do Tico Sta. Cruz: “Força Dourado VC Consegue!!!”. Depois parei e analisei, li um texto que ele escreveu num suposto blog e que indicou a todos no twitter. Quando vi o domínio “globo.com” já sabia do que se tratava: business. Mas logo o Tico, que me fazia cantar e gritar com as veias da garganta quase explodindo: “(...) O cara é ladrão de gravata, só vive atrás de mamata, achando que aqui tem babaca!!!” É. Nessa época eu era inocente. Não tinha noção da capacidade que o dinheiro tinha para mudar as pessoas. Hoje, o Tico se vendeu, e para mim não passa de um demagogo antológico, com o perdão da palavra, claro!

Enfim, o que eu queria que a minha Vó e os demais entendessem é que nós estamos sendo enganados e parece que gostamos disso. Não compre o pay-per-view e antes ver televisão procure um livro para ler. Isso vai ajudar muito mais na sua formação como um cidadão.

“A televisão me deixou burro, muito burro demais. Agora todas coisas que eu penso me parecem iguais (...)” (Titãs - Televisão)

E abaixo, peço a permissão e os devidos direitos autorais ao Senhor Antonio Barreto, Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador para reproduzir um fantástico texto.

Big Brother Brasil
   
   Curtir o Pedro Bial
    E sentir tanta alegria
    É sinal de que você
    O mau-gosto aprecia
    Dá valor ao que é banal
    É preguiçoso mental
    E adora baixaria.

    Há muito tempo não vejo
    Um programa tão ‘fuleiro’
    Produzido pela Globo
    Visando Ibope e dinheiro
    Que além de alienar
    Vai por certo atrofiar
    A mente do brasileiro.

    Me refiro ao brasileiro
    Que está em formação
    E precisa evoluir
    Através da Educação
    Mas se torna um refém
    Iletrado, "zé-ninguém"
    Um escravo da ilusão.

    Em frente à televisão
    Lá está toda a família
    Longe da realidade
    Onde a bobagem fervilha
    Não sabendo essa gente
    Desprovida e inocente
    Desta enorme "armadilha".


    Cuidado, Pedro Bial
    Chega de esculhambação
    Respeite o trabalhador
    Dessa sofrida Nação
    Deixe de chamar de heróis
    Essas girls e esses boys
    Que têm cara de bundão.

    O seu pai e a sua mãe,
    Querido Pedro Bial,
    São verdadeiros heróis
    E merecem nosso aval
    Pois tiveram que lutar
    Pra manter e te educar
    Com esforço especial.

    Muitos já se sentem mal
    Com seu discurso vazio.
    Pessoas inteligentes
    Se enchem de calafrio
    Porque quando você fala
    A sua palavra é bala
    A ferir o nosso brio.

    Um país como Brasil
    Carente de educação
    Precisa de gente grande
    Para dar boa lição
    Mas você na rede Globo
    Faz esse papel de bobo
    Enganando a Nação.

    Respeite, Pedro Bial
    Nosso povo brasileiro
    Que acorda de madrugada
    E trabalha o dia inteiro
    Dar muito duro, anda rouco
    Paga impostos, ganha pouco:
    Povo HERÓI, povo guerreiro.

    Enquanto a sociedade
    Neste momento atual
    Se preocupa com a crise
    Econômica e social
    Você precisa entender
    Que queremos aprender
    Algo sério – não banal.


    Esse programa da Globo
    Vem nos mostrar sem engano
    Que tudo que ali ocorre
    Parece um zoológico humano
    Onde impera a esperteza
    A malandragem, a baixeza:
    Um cenário sub-humano.

    A moral e a inteligência
    Não são mais valorizadas.
    Os “heróis” protagonizam
    Um mundo de palhaçadas
    Sem critério e sem ética
    Em que vaidade e estética
    São muito mais que louvadas.

    Não se vê força poética
    Nem projeto educativo.
    Um mar de vulgaridade
    Já tornou-se imperativo.
    O que se vê realmente
    É um programa deprimente
    Sem nenhum objetivo.

    Talvez haja objetivo
    “professor”, Pedro Bial
    O que vocês tão querendo
    É injetar o banal
    Deseducando o Brasil
    Nesse Big Brother vil
    De lavagem cerebral.

    Isso é um desserviço
    Mal exemplo à juventude
    Que precisa de esperança
    Educação e atitude
    Porém a mediocridade
    Unida à banalidade
    Faz com que ninguém estude.
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Ratificando

Como ficou registrado, os três posts anteriores a esse foram uns contos que eu havia escrito e decidi compartilhar. Não por coincidência as três personagens morrem no final, há uma explicação que não explicarei, óbvio, mas foi uma fase em que eu estava inspirado para fins trágicos com um quê de mistério. Pode até não parecer, mas são os sentimentos primitivos da alma transcritos em caracteres. Há outros contos, mas não compartilharei, não sei bem porque, mas não o farei, não agora.
Enfim, esse post depois de tantos dias sem postar foi só pra explicar a nova categoria "contos".
Beijos
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MUDANÇA - Parte I



Há dois meses eu mudei de lar e no meio dos entulhos mesmo, eu me dispus a escrever. É como eu sempre digo: Escrever é preciso, viver não é preciso.
Então, como é um pouco longa essa história eu resolvi dividir em partes. Eu só não sei quando postarei a segunda, portanto se esperas logo... pare de ler aqui mesmo.
Vamos lá.


Quarta-feira, 14, 10:30 da manhã: “Tá certo, seu Paulo, então to passando aí amanhã no final da tarde e já to lhe levando o caução... Sim, sim, to sabendo, mas eu quero me mudar o mais rápido possível. O sr. me entende?”. Foi muito rápido que a minha mãe fechou o negócio, ela me disse que estava com medo de perder a oportunidade, afinal já estávamos procurando um imóvel pra morar havia duas semanas.

As casas que visitamos antes eram todas feias, quando não eram feias eram mal localizadas ou mal divididas. Uma, inclusive, era até bonitinha por fora e bem localizada só que ao adentrar a casa se transformava em pesadelo, começava pela cozinha conjugada com a sala, em seguida um corredor, um quarto sem banheiro, outro quarto com banheiro, seguindo um pouco mais havia uma área que só servia pra tomar espaço e algo que era muito estranho: um box inutilizado e quebrado com uma portinha minúscula no qual fomos saber depois que o corretor nos disse que era uma sauna. UMA SAUNA!!! Em plena cidade de Belém, que é cortada pelo trópico de equador, uma SAUNA! E que só caberia uma pessoa de cócoras. Eu gostaria muito de saber quem foi o asno que teve a “brilhante” idéia de construir uma sauna na casa dele e com o detalhe de caber apenas uma pessoa de cócoras, o cara deveria ser um pouco solitário, sei lá. Enfim, merecia um Nobel pela invenção... ou pela presepada, sei lá.

Somente na manhã da quinta-feira seguinte é que viemos (eu e minha irmã) visitar a casa. Estava fechada e não havia sequer um pedreiro trabalhando como tinham me dito. Voltei de tarde e novamente não tinha ninguém, acho que os pedreiros se deram folga. Enquanto isso a minha expectativa só aumentava. Eu queria saber onde iria morar e já tava com saudades do meu antigo apê.Quero dizer, comecei a sentir saudades do apê faz uns dois meses quando cheguei da aula estourado e o baixinho – porteiro que ainda terá um texto dedicado a ele e suas peripécias – me entregou a correspondência e disse que era pra eu assinar, eu disse que não, ele disse que sim, eu disse que não era eu quem pagava o aluguel, mas ele disse que  eu era o filho dela, e eu disse que não assinaria mas abriria a correspondência. Assim que terminei de ler a carta, em que o Salomão (dono do prédio) nos deu o prazo de 90 dias para que saíssemos do apartamento, pois a sua irmã, que se divorciou do marido, queria morar no prédio e nós fomos os escolhidos a sair, o baixinho me perguntou se nós íamos ter que nos mudar... eu disse que sim, mas era claro que ele já sabia, pois tinha lido a carta. Então subi o elevador velho (saudades daquele barulho estrondoso), e ainda pasmado comecei a observar os detalhes com outros olhos, olhares saudosistas, afinal foram muitos momentos bons vividos lá.

À noite, quando a mamãe foi assinar a papelada e levar o caução para o aluguel eu fui com ela e conheci a casa. É realmente bonita. A frente é moderninha e o alaranjado meio abóbora lhe caiu bem. O espaço também é amplo, não tão quanto o do apê, mas não deixa de ser amplo e o melhor é que não precisaríamos nos desfazer de nenhum móvel. Os quartos são bem menores, mas cabem todas as nossas coisas, salvo o quarto da minha irmã que não coube o guarda-roupa “transilvânico” dela que por sinal está no meu quarto. A cozinha, uma outra sala e o quintal estão também em ótimos estados, tudo muito bem pintado. Assim que voltamos para casa, mamãe me deu a notícia de que já nos mudaríamos na sexta-feira e eu ainda descrente da idéia não consegui assimilar. O dia amanheceu tranqüilo e já tive que fazer minhas trouxas, encaixar e ensacolar todas as minhas coisas, e é aí que mora o perigo, ou melhor, o estresse da mudança. Poeira, rinite alérgica e coriza. Poeira, rinite alérgica e coriza. Poeira, rinite alérgica e coriza. Nariz escorrendo, corpo suado e calor. Nariz escorrendo, corpo suado e calor. Carrega daqui, ensacola de lá. E a minha irmã gritando: “Vai levar isso aqui ou vai jogar fora?”. “Olha, essa é a hora de se desfazer de tudo que não queremos!!”. Eu sabia, mas não queria e como bom preguiçoso que sou queria abrir os olhos e estar tudo arrumado.Mas o pesadelo apenas começava e eu não tinha noção, a única coisa que eu sabia era que eu odiava mudar de casa. Arrumei minhas roupas, separei uns dois pares de peças de roupas para vestir durante esses dois dias. Arrumei os livros nos sacos e nas caixas posteriormente. Confesso que tive mais cuidado ao arrumá-los do que as minhas roupas.

Os guarda-roupas já estavam desmontados e de tarde o caminhão baú chegou... Fiquei sabendo depois que esse caminhão só levaria os guarda-roupas, o outro caminhão faria a mudança toda no sábado. Fiquei mais tranqüilo. A sexta foi tranqüila.

Sábado, 08:15 da manhã. “Acordem crianças, acordem! Vamos trabalhar!!!”. A minha mãe adora ser a madrasta nessas horas, faz questão de nos acordar gritando e abrindo as janelas. Então, começamos a levar as coisas pequenas no carro dela e preparando os móveis maiores para quando o caminhão chegasse depois do almoço.

A verdadeira mudança começou umas 3 da tarde, e junto com o caminhão vieram dois ajudantes e a dona da transportadora pra supervisionar. Aí sim foi pedreira. Carregar esses móveis pesados não é nada moleza e eu sei disso porque participei intensamente do carregamento até o caminhão. Resumindo: as coisas todas chegaram em casa umas 10:30 da noite. Todos nós estávamos estourados, eu estava parecido com um mendigo com a camisa suja e esticada, com as mãos pretas de sujeira o corpo todo suado, preguento e eu ainda estava descalço. Tomei um banho e fui lanchar, quando voltei para dormir um amigo meu me liga para tomar uma cervejinha, aceitei com a condição de que fosse uma cervejinha, pois eu só queria dormir, ele disse que já estava passando em casa e enquanto isso outros dois amigos me ligaram também perguntando se eu gostaria de tomar uma cerveja, e então eu os convidei a virem pra cá pois eu já tinha marcado com o outro. Tomamos umas doze cervejas e eu capotei de cansado.



Domingo, 1° dia:
“Cadê os pratos?” “E os talheres?” “Devem estar naquela última caixa ali, isso a maior... não? Então não sei.” “Gente, vocês viram meu carregador?” “Renato, meu filho, procure os mantimentos ali...”.
Foi novamente um sufoco para achar o essencial para cozinhar. Recebemos a visita da minha vó e do meu tio. Tivemos que fazer uma limpeza também. E quando realmente terminamos, umas 9 da noite, não havia tevê, computador, celular ou algo que nos distraísse. Fomos tentar dormir e finalmente uma chuva começou. Pronto. Era o clima ideal para eu dormir... aquela chuvazinha de domingo à noite. Ah, que coisa boa! Quando eu fecho meus olhos para tentar sonhar, escuto uns gritos: “Renaaaaaaaato!!” Era a minha irmã apavorada pois a sala em que estavam encaixotadas as coisas estava alagando muito rápido...

E láá se vaaaaai...
Au revoir.
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Jack Soul de Belém


Saio de casa por volta de umas uma e meia da tarde, sol a pino. Calça jeans e camisa social dobrada nas mangas. Ao chegar à esquina do ponto de ônibus, abruptamente o tempo fecha e um céu nebuloso e quase negro me indica que um dilúvio se aproxima. E antes da primeira gota de suor cair do meu rosto, a gota da chuva cai e se desfaz na minha camisa. Não há proteção no ponto, apenas uma placa indicativa de que o ônibus deve parar. Vinte minutos após eu sair de casa a chuva ainda não havia cessado e todos que estão no ponto estão encharcados, inclusive eu que ainda tento ficar debaixo do plástico do vendedor de bombons. Ônibus lotado, adentro nele. Muito sufoco e janelas fechadas. Um empurra-empurra intermitente. Pessoas xingando os que entram molhados. Clima de estresse, todo mundo aparentemente estressado. Uma velha começa a bater nas janelas e portas do ônibus, gritando que o motorista havia passado a sua parada. O motorista retruca com grosseria e é vaiado pelos passageiros. Todas as pessoas estão suadas, sujas e por isso exalam pelas axilas, principalmente. Uma gorda se atola no meio do corredor, os passageiros se espremem e ela com muita dificuldade consegue passar. Quarenta e cinco minutos depois eu desço do ônibus, que já não está tão lotado. Ando depressa pelas calçadas largas da rua e logo uma mendiga me aborda e antes que ela peça dinheiro faço 'não' com o dedo, ela resmunga e depois me xinga, segue me xingando até eu entrar numa lanchonete. Peço um hambúrguer com fritas e passo a vista no jornal: "Confronto com a Polícia deixa três vítimas fatais." Continuo até ver uma casa lotérica, há cartolinas penduradas anunciando o prêmio acumulado de trinta e cinco milhões, meu subconsciente sabe o que se passa comigo e sabe que eu não ganharei, porém meu consciente é tolo, entro na lotérica e preencho dois jogos: uma megasena e uma loto. Saio ligeiramente e o vapor do asfalto molhado começa a perpassar as minhas narinas. Compro um café quente, sorvo bem devagar, e sigo meu caminho. Entro na primeira loja de uma galeria e deixo meu currículo, a mulher mal amada amassa e joga num canto qualquer, quando abro mais os olhos pra ela, a mesma resmunga um milhão de coisas. Atravesso o semáforo enquanto dois garotos fazem malabares na rua, lhes jogo uma moeda de longe e eles me devolvem um "obrigado" que eu não ouvia há tempos. Um turista aparentemente porre ou drogado me pede uma informação de onde fica o seu hotel, eu digo que não sei e mais a frente ele é assaltado por três crianças. Pego o ônibus de volta e fico preso no engarrafamento por volta de umas duas horas. Desço, estou perto de casa, caminho duas quadras, compro uma batata frita e alguns dvd's piratas. Já que sou de Belém.
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Eu, eu e a Feira do Livro


No sábado passado eu me atrevi a visitar a Feira do Livro. Minha mãe não quis ir, mas mesmo assim eu não desanimei sem o cartão de crédito dela, eu estava realmente muito a fim de ir.

- Mãe, não tem como eu ir sem dinheiro...
- Vai só olhar e volta pra casa... E não demora, viu?!
- Não viaja, mãe. Eu vou ver milhões de livros e não vou poder comprar um sequer?
- Por que não?
- Porque não existe isso, mãe... é besteira, vai, coisa de uns oitenta reais dá!
- O quê? - disse ela com a boca de um leão rugindo e um susto de cair das cadeiras - Isso é que não existe, porque na minha época...
- Na sua época nem tinha Feira do Livro, mãe... Deixa de ser pão-dura.
- Égua, mas tu me escalpela..

E assim se deu a minha ida para a feira... Não com os oitenta que eu queria, mas com cinquenta.
Cheguei lá por volta de umas sete horas da noite, tinha bastante gente, muita gente passeando e batendo foto (?), aí eu me pergunto: essas pessoas não vieram olhar livros, pesquisar, comprar? Há tanto lugar melhor para passear e bater foto. São aqueles famosos nichos em que há umas três ou quatro garotas e um amigo gay. Eu me pergunto também: qual é a necessidade das garotas em terem um amigo gay? Tô sendo digressivo, mas tive que comentar!

Voltando ao assunto. Entrei numa das primeiras editoras e tudo muito caro, duplicaram os preços dos livros e triplicaram os livros que vão lhes renderem um bom dinheiro, exemplo: Augusto Cury, Zíbia Gasparetto, Paulo Coelho etc. São escritores de massa e que vendem muito, e isso acaba se tornando uma armadilha, pois as pessoas ainda compram esses livros de preços triplicados. Continuei a minha penosa tarefa em achar uma editora boa e barata, achei uma editora muito interessante que vendia livros, principalmente, de Psicologia e Filosofia. Fiquei muito tentado em comprar o livro "Sacher-Masoch - O Frio e o Cruel" em que o Deleuze faz uma análise filosófica sobre a obra de Sacher-Masoch que, segundo Deleuze e eu também assino em baixo, é duplamente injustiçado ao ser julgado, cientificamente, junto dos escritos de Marquês de Sade e tido como louco. Pra quem não sabe, os termos "Sadismo" e "Masoquismo" ou, mais profundamente, "Sadomasoquismo", é uma referência científica analisada diante da obra de Marquês de Sade e Sacher-Masoch, porém acontece que o termo foi empregado equivocadamente pois os dois diferem em gênero, número e grau. Não entrarei no mérito da questão porque eu estou na digressão novamente. Mas, seria uma boa leitura para compreender o universo deleuziano, comprarei, quem sabe, sábado que vem. Encontrei também nessa editora, vários obras do e sobre o Focault que é um filósofo que tem uma cabeça das mais pensantes, contemporaneamente falando. Tudo muito caro ainda, continuei caminhando, caminhando, caminhando... Encontrei o estande da Visão, que é a única livraria que presta no Shopping Belém.Tudo estava bagunça, os livros todos desorganizados, então eu decidi ir direto aos livros que eu queria enão procurar de um por um. Resumindo, lá eu comprei o livro "O Encontro Marcado" de Fernando Sabino, que é um romance prazeroso de ler e principalmente pra quem tem um estilo de vida igual ao meu: Boêmio. E até que o preço tava na média, o mesmo preço da internet e da própria loja no shopping: trinta e dois reais. Me sobraram vinte reais, pois ainda tinha umas moedas guardadas. Consultei o preço dos outros que me interessavam e que comprarei talvez no sábado, um absurdo! O livro "Ulysses" de James Joyce tá custando uma "bagatela" de oitenta reais! E o "Cem anos de Solidão" do Gabriel García Márquez tá custando quarenta e quatro reais.

Prossegui o meu garimpo, na verdade já estava contente com o que adquiri, porém se pintasse um livro bom de vinte reais eu compraria. Cansado e pronto para ir embora eu achei o estande do "Cultura Usada" que é um sebo de raridades que ficava ali na Pça. da República, porém parece que mudou de endereço. Nossa, fiquei fascinado com tanta preciosidade, livros de capa dura e que dificilmente terão uma nova edição. Tinha de Dostoiévski a Diderot. Mas, como, infelizmente, eu só tinha vinte reais... me renderam dois livros, pois o livro lá chega no máximo a vinte e cinco reais. Comprei "A Idade da Razão" de Jean-Paul Sartre e "O Primo Bazílio" de Eça de Queiróz, eu precisava dessa edição de capa dura do Eça, tava cansado dos livros de escola do Eça. Mas, no sábado novamente eu volto lá e se ainda tiver à venda eu compro "Voltaire e Diderot" da antiga coleção da Abril, "Os Pensadores", é um livro meio cabeçudo, mas de não tão difícil entendimento. Há explicações até para loucura, segundo uma conversa do Diderot com o D'alembert... Muito interessante!



Enfim, eram dez horas quando a feira acabou. Ao ir embora escutei um fuzuê lá fora, voltei e anunciaram a Paula Lima no palco que montaram. Eu morreria e não saberia que Paula Lima é a mulher que apresenta o programa Ídolos. Um som legal, um tipo de Samba Soul com Jazz, gostoso de se ouvir... Ouvi umas quatro músicas e voltei para minha casa para eu poder me deliciar com as minhas aquisições.
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Novamente uma nova roupagem


Comecemos do início: eu mudei mais uma vez o template do blog porque eu estava cansado daquele bonequinho preto com uma gravata. Fui fã dele por muito tempo, mas resolvi demiti-lo. Enjoei mesmo, ué! Todo mundo enjoa por que eu não posso? Tá, hoje eu tô enjoado também, admito. Mas, acontece que aquele template era muito limitado... e esteticamente morto, diga-se de passagem. E por mais que esse blog não seja divulgado - eu pelo menos não faço questão disso, por enquanto não - eu gosto de abrir as páginas dele, ler os comentários da Day, do Índio e no máximo do Rogério e do Capanema (meu amigo que quando se lembra de mim, raramente, dá uma visitada no blog), postar asneiras ou coisas interessantes e reler tudo o que eu já escrevi. Simplificando: eu preciso me sentir bem com o meu blog. Mas e aí, esse novo template tá "irado"? Estilo "Malhação ID"? Tá, né? Se estiver, não foi a minha intenção... eu só quero o prático e legal. Eu curti esse lance do First Post destacado e as cores bem lights. Confesso até que quis imitar a cor do blog da Day, acho show.
No mais, entretanto, porém, esse post não é só para falar da mudança do template. (Aaah, acabou de chegar a nova edição da Piauí, já já lerei)
É com um enorme pesar que eu digo que o nosso Mestre Verequete, que marcou gerações, vai deixar eternas saudades aos amantes do Carimbó e a quem admira a cultura paraense. Mestre Verequete deixou um legado muito grande, rico de cultura, foi e sempre será um expoente da cultura popular paraense. Sem mais nem menos, estou de luto. Adeus, mestre.



Enfim, nada melhor para retomar os posts do que uma mudança de template. Voltarei em breve!

P.S: ÔÔÔ O VASCÃO VOLTOU, O VASCÃO VOLTOU!


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Alvorada

Alvorada lá no morro, que beleza.
Ninguém chora, não há tristeza, ninguém sente dissabor.
O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo.
E a natureza sorrindo. Tingindo, tingindo..."


Tralalá lá lá Tralalá lá lá...

Ah, como eu gosto dessa música!
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Terra Brasilis


- Presidente, eu sinto que os tempos estão mudando.
- Estão mesmo. Hoje em dia o cabra está chegando mais longe sem estudo. Além de Presidente posso ser Jornalista.
- Mas acho que não seria uma boa ideia, Presidente.
- Não. Por enquanto, não. Cof Cof...
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Quotidiano


Domingo, dia 12 .: 23:35

É engraçado como muitas pessoas conseguem expor o seu dia a dia e perder completamente a privacidade como se simplesmente sua vida fosse uma porta entreaberta para qualquer estranho que queira adentrar. Não acho isso normal, tampouco estranho, é simplesmente engraçado. A meu ver, essa é uma fase da qual (quase) todos nós passamos, alguns conseguem perdurar bem mais.

Acredito que, pelo que analisei, não passa de uma forma de auto-afirmação perante a sociedade, uma forma de mostrar que realmente está vivo e que é mais do que um “Zé Ninguém”. Sentem-se bem a partir do momento que seu nome é mencionado em qualquer roda de amigos, seja da escola ou não, e que seus perfis na internet são visualizados diariamente por milhares de pessoas. É, talvez, a única forma de serem “prestigiados” nos nichos em que habitam.

Cultivar a minha privacidade é um dos meus lazeres preferidos. Podem até me chamar de “casulo”, mas não sou... Apenas tenho a certeza de que essa fase de auto-afirmação já passou há um bom tempo para mim.

O que venho documentar através de um papel e uma caneta [agora através desse teclado] é que de uns dias pra cá minha vida tomou um rumo inesperado, impensável a mim.

É simples: Larguei a faculdade e arrumei um emprego.

Simples para uma frase de umas dez palavras, não tão simples para mim. As inscrições dos vestibulinhos cessaram, logo, não poderei mudar de curso. Terei que voltar para o cursinho e tentar vestibular. Não quero voltar para o cursinho, mas minha mãe já disse que esse semestre eu não fico sem estudar. E o trabalho? Qualquer um ficaria feliz. Admito que no início até fiquei feliz, mas acontece que se eu for fazer cursinho não renderei nada nas aulas pois o “escravalho” (lê-se trabalho escravo) é realmente cansativo. Ou quem achar que tirar cartão de crédito para uma loja é fácil, ainda mais com uma meta diária de vinte e cinco cartões, sendo que nenhuma das pessoas que serão abordadas em frente ou fora da loja, não esteja com o nome no fã clube do Serviço de Proteção ao Crédito (aquele do Alexandre Pires), que atire a primeira pedra. Atire!

(PEI!)

Isso tudo e algumas coisas a mais, que ficarão para a minha privacidade, eu faço questão de documentar para que um dia, quando esse “turbilhão” passar, eu possa dar umas belas risadas. Já disse Chacal: “A vida é curta demais pra ser pequena.”

Abaixo segue o Pessoa com um de seus heterônimos que com certeza ele o criou para mim:

“Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada
A parte isso tenho em mim todos os sonhos do mundo” (Álvaro de Campos – Tabacaria)

Enfim, como já disse uma vez, quando não tenho nada mais a deixar dito pelo dito, digo enfim. Enfim...
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Alive

Eu poderia passar um longo tempo na frente desse computador explicando sobre o que eu ando fazendo da minha vida... Mas, enquanto isso, eu vou vivendo!
Como diriam meus queridos do Pearl Jam: "Alive. I'm still alive..."
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\On

Do mundo comum da blogosfera, ando parado. Leio poucos artigos e, raramente, quando tenho tempo, ou melhor, quando a minha irmã deixa eu usar o computador, porque agora ela inventou de se viciar na modinha (quase) ultrapassada do Second Life, eu dou uma rápida vagada pela rede. Então o tempo que eu poderia estar aqui blogando, ela fica jogando esse game que eu considero uma fuga da vida e dos problemas reais. Mas, isso é papo para outra hora.

Entretanto, eu formatei pela enésima vez esse computador do qual faço os posts. Pois o outro não tem teclado em português, e como eu fiquei de botar os pingos nos "is" - apesar de eu ainda não ter me acostumado com a ideia -, eu não usei e nem postei esses dias todos.

Às vezes tenho vontade de sair postando que nem um louco, sair escrevendo o que der na telha. E, isso sempre acontece quando não tem um computador por perto ou até mesmo um pedaço de papel. Explicando: ocorre geralmente quando eu tô no ônibus, olhando pela janela, ou escorado no meu próprio braço, ou no braço de alguém - quando estou em pé, "obóviamente" (sic).

Agora que estou renovado (pc formatado), vou voltar com novas ideias e pensamentos.

Enfim, se é para o meu bem, mais uma vez eu digo que POSTO!
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Sem Pc

Foto retirada do googleimages



Tô sem pc.

Não postarei de um cyber ou do laboratório de informática da faculdade, como estou fazendo agora. Mas é só pra avisar mesmo...

Enfim, quando o pc de casa voltar a funcionar, eu volto a postar!
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Papo de Elevador

- E ae beleza?!
- Fala...
- Décimo terceiro pra mim por favor
- Beleza
[...]
- Quente essa época, nao é mesmo?
- É, é o verão né...
- Pois é
- Pois é, o que?
- O verão rapaz
- Ah tá...
- Por que? Pareço estar esquentado?
- Nã-não ...
- Haha, tava brincando moleque! - Dois tapas no ombro.
- Hehe
- Chegou. Até a próxima, falou!
- Até..
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Sobre o Fim de Ano

"Foto de uma cidadezinha qualquer"


O meu Reveillon em outros tempos seria chato. Ou melhor, podre de chato. Mas os tempos mudaram e hão de mudar mais, mudarão delicadamente, sem pressa.
Foi na casa daquela "tia" distante, mas com pessoas de convivência.
O lugar é daqueles impossíveis de explicar endereço, no qual tens que perguntar à cada esquina pela referencia que te faz chegar perto, só perto. É assim: Benevides - Distrito de Benevides - Distrito do distrito de Benevides - Comunidade do distrito do distrito de benevides. Mas nao, nao tem índio lá!
A cidade comunidade até que é arrumadinha, e nao é longe daqui de Belém. Uma viagem de 40 minutos - sem perda de tempo com pedidos de informação - é o bastante para se chegar. Como todo município, distrito de municipio, comunidade, e et cetera. Esse lugar tambem tinha sua tradicional praça com sua igrejinha de pedra (?), no qual a comunidade se diverte, os casais namoram, as crianças brincam, as senhoras fofocam e os comerciantes vendem seus produtos. A princípio, passamos rápido por ela. E assim que chegamos na casa da minha "Tia", pude ficar mais tranquilo e observar a vizinhança - é que eu tenho uma suposta ansiedade em lugares inabitados, por mim é lógico -, podia-se ver que as casas habitadas eram simples e de pessoas de baixa renda. Mas tambem podia-se ver a desigualdade social nao deixando imune nem as mais escondidas comunidades, haviam casas enormes e bonitas, "De gente importante", como falou minha "Tia". Deduzi ser dos políticos da região.
A casa da minha "Tia" é bem arrumada, ainda falta construir algumas partes da varanda, mas por dentro é bem bonita, 5 compartimentos pequenos, 2 quartos (suítes), uma sala, outra sala sem utilidade e cozinha. Um lar no qual moraria tranquilo.
Chegamos por volta das 22:30 e fomos muito bem recebidos. Minha Vó, meu Tio e a mulher do meu Tio, já nos esperavam lá... Assim que eu, minha irmã e minha Mãe desembarcamos, fomos entupidos de salgadinhos, vatapá (pra elas), maniçoba, bolo, refrigerante, cerveja e mais uma porção de coisinhas. Comemos e dançamos ao som de "Demônios da Garoa", "Martinho da Vila", "Allan Roffé", "Waldick Soriano" e muitas outras pérolas dos coroas. Assim que os fogos passaram, algumas pessoas decidiram ir para a "orla". Foram só as mulheres, preferi ficar em casa com a minha mãe. Mas logo em seguida me arrependi de ter ficado, minha mãe dormiu, meu tio com a mulher dele dormiu, e eu? Fui ver corujão! Nao queria ficar conversando com os outros coroas que sobraram, era um papo estranho sobre um tempo que eu nao vivi.
Enfim, vi o filme pela trigésima vez e dormi. No outro dia passeamos mais um pouco por lá e sinceramente nao sei quando voltaremos por lá. Talvez minha Vó compre uma casa por lá, ainda nao está nada certo. Mas quem sabe eu volte por lá, gostaria de voltar lá...
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"Como me ferrei no show dos Los Hermanos"

Um texto engraçado, vale a pena ler.

Voltei para o Brasil há pouco tempo. Vivia com minha família na Inglaterra desde garoto. Estou morando no Rio de Janeiro há uns três meses e agora estou começando a me enturmar na Universidade. Não sei de muita coisa do que está rolando por aqui, então estou querendo entrar em contato com gente nova e saber o que tá acontecendo no meu país e, principalmente, entrar em contato com umas garotas legais, né?

Mas foi meio por acaso que eu conheci uma menina maneiríssima chamada Tainá. Diferente esse nome, hein? Nunca tinha ouvido. Estava procurando desesperadamente um banheiro no campus quando vi uma porta que parecia ser a de um, na verdade, era o C.A. da Antropologia. A garota já foi logo me perguntando se eu queria me registrar em algum movimento estudantil de não sei lá o que. Que bacana! Que politizada ela era! E continuou a me explicar a importância de eu me conscientizar enquanto enrolava um beque da grossura de uma garrafa térmica. Pensei em dizer que estava precisando cagar muito rápido, mas ela era tão gata que eu falei que sim. Tainá: cabelos pretos, baixinha e com uma estrutura rabial nota dez… Aí, acho que ela me deu um certo mole… Conversa vai, conversa vem, ela me chamou para um show de uma banda naquela noite que eu nunca tinha ouvido falar: Loser Manos. Nome engraçado esse! Estava fazendo uma força sobre-humana para manter a moréia dentro da caverna, mas realmente tava foda. Continuamos conversando e rindo. Ela riu até bastante, mas eu, na verdade, tava mesmo rilhando os dentes porque assim ficava mais fácil disfarçar as contrações faciais que eu estava tendo ao travar o meu cu para não cagar ali mesmo na frente dela.

Pensando bem, eu tinha ouvido falar sim alguma coisa sobre essa banda lá na Europa ainda, mas não lembro bem o quê. Ah, acho que vi esses caras hoje no noticiário local dando uma entrevista. Achei que fosse uma banda de crentes tradicionalistas tipo Amish.Todos de barba, com umas roupas meio fudidas. Parecia até a Família Buscapé! Dão a impressão de ser uns sujeitos legais, mas o que me chamou a atenção mesmo foi o jeito da repórter, como se fosse a fã nº 1 deles, como se estivesse cobrindo a volta do Beatles ou coisa parecida. Não entendi esse jeito “vibrão” de trabalhar. Bom, mas se eu conseguir ficar com o bicho bom da Tainá hoje à noite, já tô no lucro! Marcamos de nos encontrar na entrada do ginásio. Rapaz, acho que tô dando sorte aqui no Brasil!

Ia ser fácil achar essa garota no meio da multidão. Ela se veste de uma maneira estilosa, diferente, bem individual: sandália de dedo, saia indiana, camiseta de alça, uma bolsa a tiracolo e o mais interessante: um óculos retangular, de armação escura e grossa, engraçado até! Depois de uns mil “Desculpe, achei que você fosse uma amiga minha.”, finalmente encontrei Tainá e seu grupo de amigos. Cacete, isso sim é que é moda! Parecia uniforme de escola!

Ela me apresentou suas amigas, Janaína e Ana Clara e seus respectivos namorados, Francisco e Bento. Uma mistura de fazendeiros com intelectuais. Um cara de macacão, de sandália de pneu e com ar professoral. Outro de colete, tênis adidas, óculos e também com ar professoral. Pareciam ser legais, “do bem” como eles mesmo falam… Mas que não me deram muita conversa. “Do bem”, isso mesmo! Gíria nova… Todos aqui são “do bem”. E que nomes tão simples e idílicos! Janaína, Ana Clara, Francisco, Bento e Tainá. Nada de Rogérios ou Robertos. E eu que já tava me sentindo meio culpado por me chamar Washington… Realmente estava no meio de uma nova época da juventude universitária brasileira!

Comecei a conversar com a Tainá antes que a banda entrasse no palco. Aí… acho que tá rolando uma condição até! Quem sabe posso me dar bem hoje? Ela começou a falar de música:
- “De quem você é fã?” - perguntou.
- “Pô, eu me amarro no George…”
Ela imediatamente me interrompeu, dizendo alto:
- “Seu Jorge? Eu também amo o Seu Jorge!”
Puxa, que legal! Ela gosta tanto do George Harrison que se refere a ele com uma intimidade única! Chama ele de “Seu”! Seu Jorge! Isso é que é fã!
- “Legal você já conhecer ele, hein? Eu sabia que ele ia se dar bem na Europa! O Seu Jorge é um gênio!” - ela emendou.
Pô, eu morava na Inglaterra. Como eu não ia conhecer o George Harrison?

Essa eu não entendi…

Depois ela perguntou quais bandas que eu gostava.
- “Eu curtia aquela banda da Bahia…
- “Ah, Os Novos Baianos, né?? Adoro também!”
- “Não, Camisa de Vênus! “Silvia! Piranha!” cantei rindo.
A cara que ela fez foi de quem tinha bebido um balde de suco de limão com sal. Senti que ela não gostou muito da piada. Tentei consertar:
-”Achava eles engraçados, mas era coisa de moleque mesmo, sabe?” - Óbvio que não funcionou… Aí, acho que dei um fora…

Depois, Tainá foi me explicando que o tal Loser Manos é a melhor banda do Brasil, etc., etc., etc., e que eles “promovem um resgate da boa música brasileira”.
- “Tipo Os Raimundos com o forró?” - perguntei.
-”Claro que não!” - disse ela meio exaltada! Ela me falou que não se pode comparar os Los Hermanos com nada porque “eles são únicos”, apesar de hoje existirem excelentes artistas já reverenciados pela mídia do Rio de Janeiro como Pedro Luis e a Parede, Paulinho Moska, O Rappa, Ed Motta, Orquestra Imperial, Max de Castro, Simoninha e Farofa Carioca. Ela mencionou também “Marginalia” ou coisa parecida. Foi isso mesmo que eu ouvi? Achei que ela estivesse elogiando eles… Esses foram os nomes artísticos mais escrotos que já tinha ouvido, mas fiquei quieto. Fico feliz em saber sobre essa nova onda musical pois quando sai do Brasil o que fazia sucesso no Rio era Neuzinha Brizola e seu hit “Mintchura”. Ainda bem que tudo mudou, né?

Só depois percebi que o nome da banda é em espanhol: Los Hermanos. Ah bom! Mas se eles são tão brasileiros assim porque não se chamam “Os Irmãos”? Quando saí daqui os nomes de muitas bandas costumavam ser em inglês e até em latim. Ainda bem que essa moda de nomes de bandas em espanhol não pegou no Brasil!

Pelo que me lembro, ao explicar qual é a dos “Hermanos”, ela usou a expressão “do bem” umas 37 vezes e disse que eles falam de romantismo, lirismo, samba e circo. Legal, mas circo? Pô, circo é foda! Uma tradição solidificada nos tempos medievais que ganha dinheiro maltratando animais. Onde está a poesia de ver um urso acorrentado pelo pescoço tentando se equilibrar miseravelmente em cima de uma bola enquanto é puxado por um cara com um chicote na mão? Rá, rá, rá… Engraçado pra caralho! Na boa, circo é meio deprimente. Palhaço de circo só troca tapão na cara e espirra água nos olhos dos outros com flor de lapela e quando sai do picadeiro, vai chorar no camarim. Que merda! A única coisa legal no circo mesmo é quando ele pega fogo! Isso sim que é um espetáculo de verdade! Aquela correria toda, etc. Senti que essa galera se amarra em circo. Não faz sentido se eles são tão politicamente corretos assim, né? E os pobres animais? E eu querendo não passar em branco na conversa com a Tainá, mas não conseguia lembrar de jeito nenhum a única coisa que eu sabia sobre a banda… Cacete…! O que era mesmo?

De repente, uma gritaria histérica! O show tava começando! O ginásio veio a baixo! Perguntei pra ela:
- “Eles são todo irmãos, né, tipo os Hanson?”
Ela disse um “não” esquisito, como se eu tivesse debochando. Todos eles usam uma barba no estilo Velho Testamento e se chamam “Los Hermanos”! O que ela queria que eu pensasse? Após ouvir a primeira música deu pra ver que os caras são profissionais mesmo, tocam muito bem e são completamente idolatrados pelo público, para dizer o mínimo. Fiquei prestando atenção ao show. Pô, as músicas são boas! Dá pra ver uma influência de Weezer, Beatles e Chico Buarque. Esse aí é fodão, excelente compositor mesmo. Lá na Inglaterra conhecia uns caras que eram ligados ao movimento “Dark”, como chamam por aqui. São os sujeitos que gostam de The Cure, Bauhaus, Sister of Mercy, etc. E tem a maior galera aqui no Brasil também que se veste de preto, não toma sol, curte um pessimismo niilista e se amarra nessas bandas. Mas se eles sacassem que o Chico Buarque é o genuíno artista “Dark” brasileiro… Pô, é só ouvir as músicas dele pra perceber: “Morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego” ou “O tempo passou na janela é só Carolina não viu”. “Pai, afasta de mim esse cálice, de vinho tinto de sangue” ou “Taca pedra na Geni, taca bosta na Geni, ela é boa pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni”. Tudo alegrão, né? Se eu fosse dark, só ia ouvir Chico Buarque, brother!
Tentei reengatar a conversa dizendo que achava ao baixista o melhor músico dos Los Hermanos. Ela respondeu, meio irritada:
- “Mas ele não é da banda!”
Como eu ia saber? O cara tem barba também! Aí, não tô entendendo mais nada…

Adiante, ela me disse que o cara que ela mais gostava na banda era um tal de Almirante. Depois de alguns minutos deu pra ver que o camarada imita um pouco os trejeitos do Paul McCartney, só que em altíssima rotação. Ele fica se contorcendo feito um maluco enquanto os outros ficam estáticos. É engraçado até! Parece que ele tem uma micose num lugar difícil de coçar! E fica falando e rindo direto. Ele é o irmão gaiato do cara que canta a maioria das músicas, o tal de Marcelo Campelo, como anunciaram no noticiário local hoje. Isso mesmo, Marcelo e Almirante Campelo: “Os Irmãos”! Legal! Já tava me inteirando! Ah, e tem também dois gordinhos de barba que estão lá também, mas devem ser filhos de outro casamento…

Tava um calor desgraçado, coisa que eu realmente não estou mais acostumado. Fui rapidão ao bar pra beber alguma coisa. Comprei umas quatro latas de refrigerante que era o único troço que tava gelado para oferecer para meus novos amigos:
-”Aí, trouxe umas coca-colas pra vocês!”
Ouvi a seguinte resposta:
- “Coca-Cola? Isso é muito imperialista… Guaraná é que é brasileiro!”
Puxa, que pessoal politizado… Isso mesmo, viva o Brasil! “Yankees, go home”, rá, rá! Outro fora que eu dei! Mas, pensando bem, eles não usam o Windows e o Word pra fazer trabalhos da universidade? Ou usam o “Janelas”? Dessas coisas gringas não é tão mole de abrir mão, né? Mais é fácil não tomar Coca-Cola! Isso sim que é ativismo estudantil consciente! Posicionamentos políticos à parte, tava quente pra burro, então bebi tudo sob o olhar meio atravessado de todos eles… fazer o quê?

Lá pelas tantas, começou uma música e todo mundo berrou e pulou. Parecia o fim do mundo. Logo nos primeiros acordes, reconheci o som e falei pra Tainá:
- “Ah, eu sei o que é isso! É um cover do Weezer! Me amarro em Weezer!”
Ela olhou pra mim com uma cara indignada e disse:
- “Que Weezer o quê? O nome dessa música é “Cara Estranho”.
Já vi que não gostou de novo… Mas quem sou eu pra dizer algum coisa aqui, né? Porra, mas que parece, parece! Mas o que era mesmo que eu não consigo lembrar de jeito nenhum sobre eles? Acho que conheço alguma outra música deles… Só não consigo dizer qual…

Sabia que se eu quisesse me dar bem logo com a Tainá teria que ser entre uma música e outra pois parecia que ela estava vendo um disco voador pousar enquanto os caras tocavam. Resolvi fazer uma piada pra descontrair, que sempre rola em shows. Quando o Campelo tava falando alguma coisa qualquer, berrei:
-”Filha da putaaaaaaaaaa!”
Pra quê? Tainá e sua milícia hermanista me deram uma cutucada monstra na costela que me fez enxergar em preto e branco uns 5 minutos! Pô, todo show alguém grita isso! É quase uma tradição até! Eu me amarro no cara! E é só uma piada! Aí, esse pessoal leva tudo muito a sério! Caralho… Pensei em pegar uma camisinha da minha carteira e fazer um balão e jogar pra cima, como rola em todo show, pra mostrar pra Tainá que eu sou uma cara consciente, tipo:
-”Aí, Tainazão, se tu se animar, eu tô preparado!” - mas depois dessa vi que senso de humor não é o forte dessa galera.

O tempo tava passando e nada de eu ficar com minha nova amiguinha. Quando fui tentar falar uma coisa no ouvido dela, foi o exato momento em que começou uma outra música. Foi aí que a louca deu um grito e um pulão tão altos que eu levei uma cabeçada violenta bem no meio do meu queixo! Ela não sentiu nada, óbvio, pois estava em transe hipnótico só por causa de uma canção sobre a beleza de ser palhaço ou lirismo do samba ou qualquer outra coisa do gênero. A porrada foi tão forte que eu mordi um pedaço da língua. Minha boca encheu d´água e sangue na hora. Enquanto eu lutava pra não desmaiar, instintivamente enfiei a manga da minha camisa na boca pra estancar o sangue e não cuspir tudo em cima de Ana Claudia e Janaína or something. Só que estava tão tonto com a cabeçada que tive que me segurar em uma ou outra pessoa pra não cair duro no chão. Foi quando ouvi:
- “Nossa, que horror! Lança-perfume! Esse playboy tá doidão de lança! Que decadência…”
Lança-perfume? Cara, lógico que não! E mesmo que tivesse, todo show tem isso! Mas nesse, não pode. É “do bem”. É feio ter alguém cheirando loló!! Pô, todo show que eu fui na vida tinha alguém movido a clorofórmio. Aqui, não. Que merda…

Babei na minha camisa até o ponto dela ficar ensopada! Fui ao banheiro tentar me recuperar do cacete que tomei. Lavei o rosto e tirei a camisa. Quando voltava passei por uma galera e ouvi resmungarem alguma coisa do tipo:
- “…e esse mala aí sem camisa…”
Porque não se pode tirar a camisa num show? Isso aqui não é só uma apresentação de uma banda? Parecia que eu ainda estava na Europa! Regulões do caralho… E, afinal, o que significa “mala”?

Estava enxergando tudo embaçado e notei que minhas lentes de contato tinham saltado pra longe com a cabeça-aríete de Tainá e esmagadas por centenas de sandálias de dedo. Lembrei que sempre levo um par de lentes extras no bolso. É uma parada moderna que eu achei lá em Londres. Um estojo ultrafino com uma película de silicone transparente dentro que mantém as lentes umedecidas e prontas para uso. Abri o estojo e peguei cuidadosamente a película com as duas mãos e elevei-a contra a luz para conseguir achar as lentes. Estiquei os polegares e indicadores, encostando uns nos outros, para abrir a película entre esses dedos. Balançava o negócio levemente, de um lado para o outro, contra a pouca luz que vinha do palco para conseguir localizar as lentes. Não estava enxergando nada direito! Quando tava lá com as mãos pra cima, fazendo uma força absurda pra achar as lentes, um dos caras legais com nomes simples, me deu um puta safanão no ombro. É claro que o silicone voou longe também… Caralho, minhas lentes! Custaram uma fortuna! Que filho da puta!
- “Que sinal é esse que tu fazendo aí, meu irmão? Tá desrespeitando as meninas?”
- “Que sinal?? Que sinal??” - respondi, assustado!

- “De buceta, palhaço!” - apertando o meu braço que nem um aparelho de pressão desregulado.
- “Você tá no show do Los Hermanos, ouviu? Los Hermanos! Ninguém faz sinal de buceta em um show do Los Hermanos, sacou?” - gritou o tal hipponga na minha cara.

Que viado, eu não tava fazendo nada! Parecia uma freira de colégio! Que lance é essa de buceta? Da onde esse prego tirou isso? As meninas… (Perái! Menina? A mais nova aí tem uns 25!) ficaram me olhando com a cara mais escrota do mundo! A essa altura, já tinha percebido que não ia agarrar a Tainá nem que eu fosse o próprio Caetano Veloso! “Bento”, que nome mais ridículo… Isso aqui é um show ou uma reunião de alguma seita messiânica escolhida para repovoar a Terra?

Caramba, que noite infernal! Tava com a língua sangrando, sem enxergar direito, só de calça, arrotando sem parar e puto da vida porque só tinha aceitado vir aqui por causa de mulher. Estava no meu limite. Isso era um show ou uma convenção do Santo Daime? Que patrulhamento! E, de repente, vejo Tainá e seus amigos olhando pra mim atravessado e cantando a seguinte frase:
-”Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba?”
Aí foi demais! Eu me atrevo: Ritmo, melodia e harmonia. Pronto, só isso! Mais nada! Olha só: foda-se o samba, foda-se o circo, foda-se a obsessão por barba da família Campelo e, principalmente, foda-se essa galera “do bem” que está aqui!”

Apesar de tudo, a banda é realmente excelente! O que incomoda mesmo é esse público metido a politicamente correto e patrulhador e a imprensa que força a barra pra vender alguma imagem hipertrofiada do que rola de verdade. Esse climão de festival antigo de música popular brasileira, daqueles com imagens em preto e branco, com todo mundo participando, que volta e meia reprisam na tv, tudo lindo e maravilhoso. “Puxa vida, um novo movimento musical brasileiro!”? “Estamos realmente resgatando a nossa cultura!” ? Que exagero… Ei, é só música pop! MÚSICA POP!

Caralho, finalmente lembrei! Eu conheço uma música deles! Ouvi em Londres!
Numa última tentativa de salvar meu filme com Tainá, na hora do bis, berrei bem alto:
- “TOCA ANA JULIA!”
Só acordei no hospital. Tomei tanta porrada que vou ter que fazer uma plástica pra tirar as marcas de pneu da minha cara! Fui pisoteado! Neguinho ficou puto! Qual é o problema com essa música? Me lembro de estar sendo chutado pela elite dos estudantes universitários brasileiros e da própria Tainá, gritando e me dando um monte de bolsadas na cabeça! Que porra louca! Tentaram me linchar! Ofendi todo mundo! Pô, Ana Julia é uma música boa sim! É um pop bem feito! Se não fosse, o “Seu Jorge” Harrison não teria gravado, né? Se ele não entende de música, quem entende? Me disseram depois que o tal Campelo se retirou do palco chorando, magoado, e o outro irmão mais novo dele, o nervosinho que imita o Paul McCartney, pulou do palco pra me bicar também. Do bem? Do bem é o cacete…

Aí, sinceramente, ainda prefiro o show do Camisa de Vênus…

Adolar Gangorra tem 65 anos, e está internado até hoje!!! "

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Créditos ao blog MDig do qual copiei...
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Count the white dots :)

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E eu...


O ano acabou; Obama ganhou. E eu? De paletó e gravata!
O Lula subiu; a Bolsa caiu. E eu? De paletó e gravata!
O crime aumenta; Ana Júlia inventa. E eu? De paletó e gravata!

A Melancia dança; Winehouse nao se cansa. E eu? Continuo de paletó e gravata!
A Isabella pobre coitada; Heloá está guardada. E eu? Continuo de paletó e gravata!
O homem nao se toca; a Amazônia se esgota. E eu? Continuo de paletó e gravata!

A tecnologia se expande; o Junior está sem a Sandy [:O]. E eu? Ainda uso paletó e gravata!
A guerra civil nao cessa; para Eles o petróleo é o que interessa. E eu? Ainda uso paletó e gravata!
Um bando de sem vergonha; Eu quero é ir pra Noronha. Mas ainda uso paletó e gravata!


E mais uma vez de paletó e gravata, eu termino por aqui!
Beijos Kafkianos. Boas festas!
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Isso é Veríssimo

Um texto engraçado do Luís Fernando Veríssimo, vale ler.


Um dia de merd
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Luiz Fernando Veríssimo (verídico)

Aeroporto Santos Dumont, 15:30. Senti um pequeno mal estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse. Mas, atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas. Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão. “Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo”. O avião só sairia às 16:30.

Entrando no ônibus, sem sanitários, senti a primeira contração e tomei consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto. Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil, falei: “Cara, mal posso esperar para chegar na merd# do aeroporto porque preciso largar um barro”. Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda. O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: “Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levará em torno de 1 hora, devido às obras na pista”. Aí o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merd# que estava para chegar na estação ânus a qualquer momento. Suava em bicas.

Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro. O alívio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV, mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada, mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado. Um cocô sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que dá vontade de ligar pros amigos e parentes e convidá-los a apreciar na privada. Tão perfeita obra, dava pra expor em uma bienal. Mas sem dúvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de solidariedade, e confessei sério: “Cara, caguei”.

Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle. “Que se dane, me limpo no aeroporto” – pensei. “Pior que isso não fico”. Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte. Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira, mas não pude evitar e, sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merd#. Dessa vez, como uma pasta morna. Foi merd# para tudo que é lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calças, meias e pés. E mais uma cólica anunciando mais merd#, agora líquida, das que queimam o fiofó do freguês ao sair rumo à liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar, afinal de contas o que era um peidinho para quem já estava todo cagado. Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa. E me caguei pela quarta vez.

Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tirá-lo levou metade dos pêlos do rabo junto. Mas era tarde demais para tal artifício absorvente. Tinha menstruado tanta merd# que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada. Finalmente cheguei ao aeroporto e, saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas. Corri ao banheiro e, entrando de boxe em boxe, constatei a falta de papel higiênico em todos os cinco.

Olhei para cima e blasfemei: “Agora chega, né?” Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que conclui como sendo o fundo do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia.

Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o “check-in” e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte. Ele tinha despachado a mala com roupas. Na mala de mão só tinha um pulôver de gola “V”. A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus.

Desesperado, comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis. Minha cueca joguei no lixo. A camisa era história. As calças estavam deploráveis e, assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merd#. Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10. Teria que improvisar. A invenção é mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica máquina de lavar. Virei a calça do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água. Comecei a dar descarga até que o grosso da merd# se desprendeu.

Estava pronto para embarcar. Saí do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meias, as calças do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola “V”, sem camisa. Mas caminhava com a dignidade de um lorde.

Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando “O RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO” e atravessei todo o corredor até o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria. A aeromoça se aproximou e perguntou se precisava de algo. Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir: “Nada, obrigado. Eu só queria esquecer este dia de merd#!"
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#Crônicas de um Bon Vivant - Preguiçoso

Levanto da cama ao meio dia, sinto tontura e sinto que me levantei rápido demais. O sol já invade a janela do quarto que mesmo com a cortina, ele, o sol, a ignora.
Vou para a cozinha, abro a geladeira e pego a garrafa de água mais gelada que encontro. Bebo três copos e volto a me deitar. A cama, com o lençol arrastando no chão, me chama e eu me jogo de qualquer jeito. Tento voltar ao sonho. Nao consigo. Olho para o relógio de parede e os ponteiros já marcam 12:27, lembro que ainda tenho que preparar meu almoço, mas penso tambem que um miojo basta, e penso em como eu queria que existisse controle remoto para ventilador, ele está na velocidade um, queria poder também bater palmas e aumentar a velocidade dele. Faz calor, está abafado!
Enfim, penso que nao tenho mais sono pra dormir, mas tambem nao tenho disposição para levantar. O telefone toca, uma, duas, três vezes e na quarta eu levanto e calculo que pela sexta vez eu já esteja com o fone na mão. Quando chego perto o telefone pára de tocar, mesmo assim atendo, querendo me enganar de que é o intervalo de uma chamada para outra. E nada. Nenhuma voz, nenhum barulho a nao ser pelo "tu tu tu tu". Por fim, penso no filho-da-puta que esperou o telefone chamar seis vezes e nao esperou uma sétima.
Olho a distancia do sofá e a distancia do quarto. É, o sofá está mais perto. Deito, pego controle da tevê e do aparelinho de canal fechado. Ligo os dois e percebo que nao há nada de interessante passando.
A campainha toca e eu me levanto, é o porteiro barbudo quem vem me entregar uma correspondência. Às vezes tenho a sensação de que ele vem entregar pessoalmente a correspondência só para fuxicar e saber o que está acontecendo dentro do lar...
Desligo a tevê e ligo o aparelho de som, coloco no volume médio o CD do Jack Johnson, e acho que estou pronto para cuidar do almoço. Chego na cozinha e dou de cara com o seguinte bilhete:

"Arthur:
Trate de lavar toda a louça, os banheiros, passe pano na mesa do computador, arrume seu guarda-roupa, passe pano no seu quarto e ARRUME A SUA CAMA."
Beijos, Lúcia."

Após o bilhete, sinto sono mas nao durmo. Abro a geladeira e encontro uma latinha de cerveja, abro a latinha e bebo um gole. Consigo escutar o barulho da cerveja caindo e ecoando dentro de mim, tomo mais um gole e ponho-a em cima da mesa. Busco um miojo no armário e primeiramente encontro um pacote de biscoitos recheados de chocolate, pego o biscoito e em seguida pego o miojo.
Trato de achar uma panela para esquentar a água. Enquanto a água esquenta, eu como o biscoito banda por banda, raspando com os dentes primeiro o recheio e depois mordo o biscoito.
O biscoito acabou, assim como o último gole de cerveja. Procuro entao aonde fica o umidor de charutos, acho-o dentro de um criado-mudo na sala. Pego um suposto charuto que me parece ser um Macanudo Puro dos bons, acendo com o meu isqueiro-maçarico e me posto na poltrona de luxo bem conservada no canto da sala de visitas.
Pego o telefone e ligo para algumas amigas que conheci na boite Um terço 1/3, e digo para elas virem aqui, dou o endereço e digo para elas trazerem cervejas, de preferencia gelada.
A água já está se evaporando na panela, vou para a cozinha e abaixo o fogo e coloco o miojo, quebrado em duas partes, para cozinhar. Passado os três minutos ditos na embalagem - mas que na verdade sao sete - ponho num prato fundo o miojo e espero o mesmo esfriar.
O CD acaba e eu troco por um do Pearl Jam, entao aumento o volume para quase no máximo.
O Charuto já está há mais da metade, e os ponteiros do relógio indicam 2:05...
Como o meu miojo rápido, coloco o prato em cima da pia e penso que já está na hora de tomar um banho, já estava me sentindo um hippie. Tomo um banho demorando mais ou menos 30 minutos, e entao coloco uma bermuda branca e uma camiseta azul clara, sento no sofá e acendo mais um charuto.
Passado 20 minutos de charuto tarugado, a campainha toca. Olho no olho-mágico e vejo duas garotas, altas, elegantes. Ali naquele vidro convexo o peito delas me parece maior. Abro a porta e elas vao me saudando com três caixas de latinhas na mão e com beijinhos no rosto. Eu pergunto sobre a terceira e elas dizem que ela nao pôde vir porque tinha que sair com a sua mãe.
Contra a minha vontade ponho um CD de pagode, e peço para que elas coloquem as latinhas no congelador, elas reclamam que eu sou muito preguiçoso, e eu dou de ombros.
Abro mais espaço entre os sofás, e o volume do som agora está no máximo. E a partir da décima latinha o papo cerrou e o samba se atreveu. Começamos a sambar, eu desengonçado, e elas dando um show de samba, sambavam me provocando, esfregando-me os seus corpos belos, e eu suando prosseguia. As duas já estavam brincando comigo, me fazendo de ventríloquo. Chegavam com os lábios perto do meu e desciam mais e mais, e levantavam novamente. Eu sabia que o álcool já possuíra elas, e eu quase. Foi entao que puxei a loira e dei um beijo em seu pescoço e fui subindo na diagonal para a boca, quando toquei seus lábios, a morena nao se conteve e me puxou, e me beijou tambem. Ali estávamos nós, nos beijando à três. A saliva de cada um se transportava de boca em boca. Fui a conduzindo-as para o quarto, quando percebi que já estava sem bermuda, e elas sem camisa. Beijava-lhe os seios e elas puxavam meu cabelo. Tirei minha camisa e fui para cima da morena enquanto que a loira se despia, eu despia a morena e já beijava-lhe o sexo. Ouvi ela gemer algo sobre camisinha, nao entendi mas só fiz abrir a gaveta que estava ao meu alcance e peguei um preservativo, a loira já estava despida ao lado dela e acariciava meu sexo, e eu fazia o mesmo com minha mão direita. Foi entao que a campainha tocou!
Me tio chega com meu primo Arthur antes do previsto, nao me avisara nada ou fizera de propósito. Esculhambou-me, quase me bateu, e hoje eu estou aqui em casa, deitado, pensando quando terei a sorte de meu tio viajar novamente!
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2 com

Saudações

Saúdo aqui, meu amigo Rogério que criou um blog louco, que vai falar o que voce quiser saber sobre bebidas. Se voce que é alcoolatra se interessar, visite o blog "O que beber" clickando aqui no link ao lado. Ou se voce gosta de coquetéis, ou de sucos exóticos, ou de água com gás, ou água cem por cento natural (cosanpa), ou de qualquer coisa que se possa beber - sem fetiches pelo amor de Deus - e que seja interessante, ele vai postar no blog. Mas peço que tenham calma tambem, afinal ele vai ter que experimentar muitas bebidas que nem ele conhece ainda e antes que perguntem, nao ele nao vai viver porre por causa disso, ele vai só experimentar!
Enfim, é isso meu cumpádi. Fale aí pra nós o que é bom de nós beber sô! Abraass

http://oquebeber.blogspot.com

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Espero que voces nao enjoem do Chico. Essa que tá tocando é mais uma dele, que aliás me lembra uma bebedeira que que rolou quando o Rogerio e uns amigos nossos estavam aqui em casa!
Feijoada Completa
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"Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura." (Charles Bukowski)